12 avril 2010

Me deleitas

Teu andar é ágil,

tuas ancas estreitas

ah! como pisas

tão

frágil

e moves assim

e assim me deleitas


Teus ombros são altos,

tuas costas tem espinhas,

as nádegas...


...as pernas que me põem aos saltos!

mesmo finas, pequeninas, são minhas,

são minhas !

Marinas...

Marinas, marinhas, Marie

contornos au tour de tout

é là que, pourvu de cisnes

ao largo o lago é feito leito

e o mar é feito mato


matizes na rã que salta o charco

na erva, no cactus, na uva,

no vale onde olhas em ondas

e marchas à passo


retrato do simples, du plaire,

du moût, du goût, d'août, septembre,

octobre et seu cobre lourd, plomb,

bleu dans tes yeux


et me faire rêver au moindre reflet d'eau

du fait qu'ils sont ceux...

( ...qu'ils sont, quoi ! )

Lsne.04.X.88

M....

merda,
na certa esconde a mesma
incerta
ou havia(?)
nada que antes não fosse o mesmo
na certa esconderia...
merda!
durando tanto quanto
um comercial de tv:
odor, cagava, fedia
ía e vinha,
examinava e ía ver,
ver?
de vera,
onde caía.
vindo no escuro
limo cú qualquer
qualquer um!

les yeux clos

les yeux clos -

où se cachent les noyaux ?

on traverserait les fruits

sans les ouvrir

on arriverait jusqu’à l’âme,

ou au-delà,

à travers la peau,

rideau qu’on aime

pour y regarder et songer

et cueillir

parmi les saveurs

sans les ouvrir

les yeux, toujours clos -

(hommage à mon mal-de-dos)

Lsne.31.X.88

les fleurs

les fleurs

on les trouve

à toutes les heures

dans le jardin

à la montagne

dans le champ

...la campagne

avec des couleurs

douce pâle

jaune blé

bleu air

brun claire

blanc été

automne coeur, vert mousse, doré russe

…on peut les ramasser si l’on veut

Lsne/88

Garde l'été

"Avant que l'automne commence dans les choses

Il commence chez nous", à dit Pessoa.

Mais, chez moi, une force abrite et garde l'été

Celui-ci que fait la température

courir dans les veines,

qui se grave à ma peau

como si le vent qu’oblige que les feuilles tombent

devrait souffler que là-bas, dehors

car ici dedans une brise d'aboiements cardiaques

qui riment mouvements péristaltiques

Animent paresseuse et involontairement mon être,

me projettent au-delà des saisons

au-delà de l'attraction froide que tente

à la mélancolie ombre

d'une feuille décoloré

Lsne.06.X.88

Gavetas

Todas estas gavetas

cheias de embrulhos

de tamanhos varios

com papéis de tons

e laços

laços combinados

(platos combinados)

mais um rosto cá dentro

mais um eu

(se não tiver vento)

a súplica em mim

à buscar de ti

meu corpo são

mas já imundo,

e em vão

deito no mundo,

meu chão

(sem papel-de-parede)

e estendo a mão

Foto Poema

Ela segura a rosa

essa toca-lhe os lábios

seus olhos grandes

de um castanho-vivo

me fitam

através da máquina fotográfica

se imprimem em negativo

o resultado

está impresso em positivo em mim

eu tenho uma foto dela

tenho a impressão dela na minh'alma

minha lembrança se anima

e sai em busca dela

seus ombros são altos - já disse !

sua densa cabeleira

e os olhos vivos

castanhos-grandes

eu tenho uma foto dela

através del alma me fitam

impressos positivos

negativos através da máquina

e eu seguro a foto dela que eu tenho

/87

Com Por

M I R E

COM PONHO

M I D E

COM PONDO

E M

COM POR

CANTO

TANTO

O SOL

EX PONDO

PRA

MEU

EX PANTO

COM O

PÔR-DELE

COMO

POR EN CANTO

PARECE

FICAR

MELHOR

DO QUE

NA TELEVISÃO

SET86

bonbonbonbonbon...

u n b o n b o n

m o t i v e

é c r i r e

q u e l q u e

c h o s e

c h o u e t t e

u n b o n b o n

n o i s e t t e

SET/86

às formigas, com carinho (canção)

do alto, o que sê vê

não são retratos

mesmo sem comentários

várias vão e lembram vãos

onde quem espreita

passa e não comenta

se contenta em baixar a cabeça

segue indo

rindo

do alto do seu metro e noventa

que diz que “lá no alto não venta”

se contenta de baixar a cabeça

seguindo o sem fim do

carrinho

com que as formigas erram

e não erram

o caminho

(http://www.mx3.ch/play/nilodjaneiro/asformigascomcarinho)

Ar de cabeceira

ar,

um dos meus lidos de

e que cabeceiras

noturnas penseiras

fiestas domingueras

v a r a i s l e t r e i r a s

instantâneos e longas eiras e beiras

tal qual meu l a r !

um dos éles é l o i g n e r,

forja

songe-t-il d'un estelar ?

esticar, estiar

et parvenir à o'cê

selar e enviar-te mon envie

et deviner ce que l'air peut soufler

et s'ouvrir sur mer

e tudo isso lybertas

és tu f ar v é u s, n a u s

l e v a s l e v e

et sans briser

velando elegante

ante o mastro

majestuoso astro

s o l l u a r

Renens, 27.II.95

A espera

A espera está também prá escôva-de-dentes;

espera a bôca que se abra,

já devidamente empastada,

ser friccionada,

na vertical (dizem êles!),

na horizontal

com mais creme-dental

mais uma fricção

e fim da operação.

Ser lavada

e novamente

posta à espera

após mais uma

refeição.

Mas tem a felicidade de,

na partida,

nunca ser deixada,

jamais ser esquecida.

(Diz que eu sou

tua escôva-de-dentes,

diz.

...empastado,

friccionado...

...na vertical,

...na horizontal,

debaixo prá cima

de cima prá baixo

de lado odal

...costas

e jamais ser esquecido.

(de quem te gosta)