sous la lune
la marche à pied
fait l’esprit s’envoler
l’ombre d’un corps
c’est une
sur le lit
portrait en pied
la chambre embrumer
la marche au sommeil
lumière aucune
Lsne/87
Alguns textos re-encontrados, depois de engavetados, jogados, re-editados e agora mostrados depois de re-lidos e in-corrigídos... Quelques textes retrouvés, après mis en tiroir, jetés, ré-édités et maintenant ex-posés après re-lecture et in-corrigées...
teu sorriso luminoso
move teus lábios, teu rosto, teu corpo,
projetando na minha memória
não sómente imagem dinâmica
mas uma fôrça
que em ti gera reflexões e atitudes,
emoções e palavras de beleza e valor
que em mim provocam como que
um incêndio no circo
onde penso que atuo para uma grande platéia
fazendo-a gargalhar
e chorar ao mesmo tempo
mas que em verdade
sou meu único espectador
e sólo, quero representar
a causa da minha alegria
e da minha tristeza
mas saiba que o coração do palhaço
é pisoteado e acaricíado
pelos pés e mãos da bailarina espanhola,
tu !
à quem darei diariamente
a rosa vermelha
para teus cabelos negros
Berlin, IX.86.
Teu andar é ágil,
tuas ancas estreitas
ah! como pisas
tão
frágil
e moves assim
e assim me deleitas
Teus ombros são altos,
tuas costas tem espinhas,
as nádegas...
...as pernas que me põem aos saltos!
mesmo finas, pequeninas, são minhas,
são minhas !
Marinas, marinhas, Marie
contornos au tour de tout
é là que, pourvu de cisnes
ao largo o lago é feito leito
e o mar é feito mato
matizes na rã que salta o charco
na erva, no cactus, na uva,
no vale onde olhas em ondas
e marchas à passo
retrato do simples, du plaire,
du moût, du goût, d'août, septembre,
octobre et seu cobre lourd, plomb,
bleu dans tes yeux
et me faire rêver au moindre reflet d'eau
du fait qu'ils sont ceux...
( ...qu'ils sont, quoi ! )
Lsne.04.X.88
les yeux clos -
où se cachent les noyaux ?
on traverserait les fruits
sans les ouvrir
on arriverait jusqu’à l’âme,
ou au-delà,
à travers la peau,
rideau qu’on aime
pour y regarder et songer
et cueillir
parmi les saveurs
sans les ouvrir
les yeux, toujours clos -
(hommage à mon mal-de-dos)
Lsne.31.X.88
les fleurs
on les trouve
à toutes les heures
dans le jardin
à la montagne
dans le champ
...la campagne
avec des couleurs
douce pâle
jaune blé
bleu air
brun claire
blanc été
automne coeur, vert mousse, doré russe
…on peut les ramasser si l’on veut
Lsne/88
"Avant que l'automne commence dans les choses
Il commence chez nous", à dit Pessoa.
Mais, chez moi, une force abrite et garde l'été
Celui-ci que fait la température
courir dans les veines,
qui se grave à ma peau
como si le vent qu’oblige que les feuilles tombent
devrait souffler que là-bas, dehors
car ici dedans une brise d'aboiements cardiaques
qui riment mouvements péristaltiques
Animent paresseuse et involontairement mon être,
me projettent au-delà des saisons
au-delà de l'attraction froide que tente
à la mélancolie ombre
d'une feuille décoloré
Lsne.06.X.88
Todas estas gavetas
cheias de embrulhos
de tamanhos varios
com papéis de tons
e laços
laços combinados
(platos combinados)
mais um rosto cá dentro
mais um eu
(se não tiver vento)
a súplica em mim
à buscar de ti
meu corpo são
mas já imundo,
e em vão
deito no mundo,
meu chão
(sem papel-de-parede)
e estendo a mão
Ela segura a rosa
essa toca-lhe os lábios
seus olhos grandes
de um castanho-vivo
me fitam
através da máquina fotográfica
se imprimem em negativo
o resultado
está impresso em positivo em mim
eu tenho uma foto dela
tenho a impressão dela na minh'alma
minha lembrança se anima
e sai em busca dela
seus ombros são altos - já disse !
sua densa cabeleira
e os olhos vivos
castanhos-grandes
eu tenho uma foto dela
através del alma me fitam
impressos positivos
negativos através da máquina
e eu seguro a foto dela que eu tenho
/87
u n b o n b o n
m o t i v e
é c r i r e
q u e l q u e
c h o s e
c h o u e t t e
u n b o n b o n
n o i s e t t e
SET/86
do alto, o que sê vê
não são retratos
mesmo sem comentários
várias vão e lembram vãos
onde quem espreita
passa e não comenta
se contenta em baixar a cabeça
segue indo
rindo
do alto do seu metro e noventa
que diz que “lá no alto não venta”
se contenta de baixar a cabeça
seguindo o sem fim do
carrinho
com que as formigas erram
e não erram
o caminho
(http://www.mx3.ch/play/nilodjaneiro/asformigascomcarinho)
ar,
um dos meus lidos de
e que cabeceiras
noturnas penseiras
fiestas domingueras
v a r a i s l e t r e i r a s
instantâneos e longas eiras e beiras
tal qual meu l a r !
um dos éles é l o i g n e r,
forja
songe-t-il d'un estelar ?
esticar, estiar
et parvenir à o'cê
selar e enviar-te mon envie
et deviner ce que l'air peut soufler
et s'ouvrir sur mer
e tudo isso lybertas
és tu f ar v é u s, n a u s
l e v a s l e v e
et sans briser
velando elegante
ante o mastro
majestuoso astro
s o l l u a r
Renens, 27.II.95
A espera está também prá escôva-de-dentes;
espera a bôca que se abra,
já devidamente empastada,
ser friccionada,
na vertical (dizem êles!),
na horizontal
com mais creme-dental
mais uma fricção
e fim da operação.
Ser lavada
e novamente
posta à espera
após mais uma
refeição.
Mas tem a felicidade de,
na partida,
nunca ser deixada,
jamais ser esquecida.
(Diz que eu sou
tua escôva-de-dentes,
diz.
...empastado,
friccionado...
...na vertical,
...na horizontal,
debaixo prá cima
de cima prá baixo
de lado odal
...costas
e jamais ser esquecido.